17 Aplicativos De Decoração De Moradia Para Fazer O Seu Projeto

Em primeiro recinto, devo expressar minha profunda emoção por ter sido escolhida como uma das Heroínas das Américas deste último século, pela área da saúde pública. Gostaria de prestar este mais honroso prêmio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a todos os que trabalham com carinho à causa e, mais sobretudo, aos meus cinco filhos, Rubens, Nelson, Heloisa, Rogério e Silvia. Como a educação era a prioridade pela minha família, aos onze anos fui a Curitiba, no Estado do Paraná, para prosseguir meus estudos.

Eu estava motivada a cursar Medicina, ser missionária, navegar pelo superior rio do universo, o Amazonas, e curar da malária aquelas famílias pobres que viviam em palafitas à beira dos rios. Mas meu pai me dizia que eu deveria ser professora, já que a educação era o que mais faltava ao mundo; minha mãe apoiava meus sonhos e dizia que valiam a pena. Enquanto cursava Medicina, meu pai reclamava que deveria aprender bem mais sobre a cautela das doenças, sobre a alimentação, as vacinas e a participação comunitária.

Desde o 1o ano de Medicina, trabalhava como voluntária, num hospital filantrópico. Sentia que os doentes me olhavam com ternura no momento em que lhes tocava as mãos. Optei depois por prestar serviços voluntários no Hospital de Crianças César Pernetta, que atendia só meninas de famílias pobres e sem emprego. Via todos os dias crianças desidratadas, novas vomitando fezes, sendo medicadas com soro endovenoso; sofriam muito longínquo da família, naqueles leitos de angústia e de abandono.

Havia, na enfermaria de queimados, gurias gemendo. Em uma dessas criancinhas, a queimadura que se espalhava pelo rosto, peito e pernas era conseqüência do derramamento do café quente de um bule. Na urgência, uma moça vinda de área rural com tétano se torcia nas crises e o pai, desesperado, perguntava: meu filho vai morrer? Pensava comigo: quais dessas meninas precisariam estar no hospital, se as famílias tivessem mais conhecimentos sobre a prevenção, e se a saúde pública estivesse mais próxima do coração nesse público carente? Quando me formei em Medicina, fui nomeada para responder criancinhas menores de um ano no ambulatório daquele mesmo hospital; foi meu primeiro emprego.

Eu passava a maioria do tempo ensinando e animando as mães nos cuidados com seus filhos e a clientela se tornava grande além da conta. Eu dizia às mães que consultassem com os outros médicos, já que sabiam muito mais do que eu, no entanto elas queriam consultar comigo e diziam que eu explicava bem. Começava, nesta época, a descentralização dos serviços primários de saúde, quem sabe por ação da declaração de Alma-Ata, de 1978, que me empolgava e fortalecia. Nessa descentralização do sistema de saúde, fui designada a atender 2 postos de saúde, em dias alternados. Não havia vacinas acessíveis; eram freqüentes os casos de doenças infecto-contagiosas, como coqueluche, difteria e sarampo, além das diarréias e doenças respiratórias, que eram diárias.

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Apesar de nortear as mães pra vacinar as crianças no centro de saúde da cidade, algumas não o faziam. Descobri que a atendente aconselhava que não fossem, já que havia o risco de “agarrar” paralisia. Aprendi, com isso, que, em primeiro lugar, deveria instruir minha cooperar. Aos 20 dias da licença de gestação de meu segundo filho, que hoje é médico epidemiologista, vieram me chamar para assumir a direção da rede de postos de saúde, que se expandia a vinte e um comunidades pela periferia de Curitiba.

Junto aos postos de saúde, implementei vinte e sete clubes de mães, dando a elas mais esta oportunidade de educação. Em diálogo com os médicos, foi feito um levantamento das doenças mais freqüentes e de quais medicamentos poderiam ser fabricados pelo laboratório da Secretaria da Saúde. Verificamos que, em diversos casos, a embalagem era mais cara do que o conteúdo e, sendo assim, a norma era as mães devolverem as embalagens ao posto de saúde. Solicitei bem como à Pontifícia Universidade Católica do Paraná que fizesse o diagnóstico socioeconômico da clientela e a classificasse conforme a renda familiar de cada um.